domingo, 20 de setembro de 2020

PARINTINENSES VENCEM CONCURSO DE GAME NACIONAL

 



 

Os jovens assinarão contratos com as empresas multinacionais Nintendo, PlayStation e NintendoDs

 

 O game Bumba-Boi, criado pelos jovens empreendedores da B3 Game Studio, Jean Brandão, (24), Luca Braña, (24) e Júnior Macedo, (22), foi o vencedor do concurso nacional Game Jam. O resultado saiu no último sábado, 19. A competição é organizada pela agência Fábrica de Jogos de São Paulo. 

 O evento ocorreu no período de um mês, com o desafio de criar uma aplicação executável, com tema elaborado pelos organizadores. Segundo os concorrentes, as equipes foram distribuídas para trabalharem em casa, devido à pandemia, o que dificultou o processo, mas com a acessibilidade digital foi possível fazer o projeto via live e as reuniões pelas redes sociais.

 “Confesso que estávamos confiantes, mas com receio de não termos chances de vencer dos concorrentes de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife. Então tivemos o resultado da vitória, arrancando inúmeros elogios dos jurados por divulgar a nossa cultura, fazendo um jogo totalmente original”, afirma Jean Brandão. 

 


 

O projeto surgiu no início de 2020 e a elaboração durou cerca de quatro meses. O jogo enfatiza a cultura dos bois de Parintins, os pontos turísticos da cidade por meio da animação digital, além da introdução do ritmo totalmente regional, a toada. “Por termos estudado música, essa parte foi até bem rápida. Criamos um ritmo bem regional, para que ambos os torcedores da cidade se identificassem”, assegura Júnior Macedo. 

 A premiação, etapa final do concurso, são os contratos assinados com as empresas multinacionais, Nintendo, PlayStation, NintendoDs, ambas disponibilizarão o jogo nas plataformas mobile e console.

 

 
Avaliação dos jurados da Game Jam/ Arquivo: B3 Game Studio

  

Por Aldair Rodrigues

 Link page B3 Game Studio https://www.facebook.com/B3-Game-Studio-108425650968666/

 
 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

BURITI QUADRINHOS DE PARINTINS

 

Integrantes do coletivo Buriti Quadrinhos de Parintins
 Foto: Arquivo Buriti

A arte de narrar histórias sequenciadas por meio de desenhos e textos.  Conceito simples que define as Histórias em Quadrinhos (HQ). A modalidade é antiga, mas sobrevive criativamente, repleta de traços, expressões e críticas sociais.

Segundo a pesquisadora Laura Aidar em matéria para o site todamateria.com.br, as histórias em quadrinhos têm como elementos básicos das narrativas: enredo, personagens, tempo, lugar e desfecho. Nas pesquisas de Laura, a primeira história com essas características foi publicada nos EUA em 1894, na revista Truth, pelo americano Richard Outcault.

De acordo com a matéria, no Brasil, a primeira revista em quadrinhos foi intitulada de “O Tico-Tico”, criada pelo artista Renato de Castro, publicada em 1905 pelo periódico O malho.

Além desses artistas, nomes como o do cartunista Ziraldo (A turma do Pererê), Maurício de Souza (Turma da Mônica), o cartunista argentino Quino (Mafalda) também revolucionaram a arte dos quadrinhos.

Em Parintins-Am essa arte ainda surge timidamente. O coletivo Buriti Quadrinhos de Parintins embarcou na modalidade e têm acrescentado o leque artístico da região, tendo como principal referência, o boi-bumbá. Levi Gama, idealizador do projeto conversou com o Mural das Narrativas e compartilha toda a trajetória do grupo.

 

 

Mural das Narrativas: Quando e como surgiu o coletivo?

Levi Gama/ Buriti Quadrinhos de Parintins: Surgiu dia 12 de março de 2019, idealizado por mim, Levi Gama e minha noiva Rafa Pimentel. A ideia do coletivo iniciou por meio do amigo parintinense, quadrinista do Maurício de Souza, Romahs Mascarenhas. Romahs veio em Parintins, por volta de 2018, ele realizou uma oficina de cartoon, no qual participamos e partiu disso a ideia de querer montar algo parecido. Em 2019, viajamos para Manaus, e conhecendo esse ramo de perto, com toda a organização e valorização de como é trabalhada, aumentou mais ainda a necessidade de criar o coletivo. 


O desenhista Levi Gama e a roteirista Rafa Pimentel do coletivo  
Foto: Arquivo Buriti
 

 

M. N: Como é definida a técnica artística utilizada no projeto?

Levi. B. Q: O quadrinho possui quatro bases principais: o cartoon, semi-cartoon, comix, mangá. Os meus quadrinhos seguem uma linha de semi-cartoon, que é entre o realista e o cartoon, as vezes a anatomia, a estrutura do personagem é um tanto que real, só que a expressão do personagem é caricata. 

 

 

 

Como todo o universo artístico, entender o que se está criando é fundamental. Os precursores das HQs buscaram uma sistematização em torno das técnicas que eles mesmos utilizaram. Sobre isso, Levi acrescenta que, “por volta de 1895 a 1930, os artistas que, produziam tirinhas, faziam sem crítica alguma, não debatiam o que produziam. Nesse tempo da história ainda não tinha o termo técnico para definir essa arte. Tudo mudou quando um cara chamado Will Eisner, o criador do personagem Spirit, além de produzir quadrinhos, passava a criticar o que produzia. Então vem dele o termo técnico das histórias em quadrinhos que, seria a arte sequencial”, diz.

De acordo com as pesquisas de Levi, por volta de 2009/2010, Scott McCloude, se utilizou de outro termo técnico para definir essa arte, chamando-as de Artes pictóricas e outras justapostas em sequencias deliberadas.

 

M. N: Qual o significado do nome Buriti para o coletivo?

Levi. B. Q: O termo buriti, vem do tupi, significa árvore da vida. Antes de encontrarmos esse nome, o nosso objetivo era achar um nome de fácil compreensão, e que as pessoas conseguissem guardá-lo, igual música sertaneja, saca? E não só isso, mas que explorasse um pouco das nossas raízes culturais, das nossas raízes caboclas. O que nos encantou realmente foi o significado do nome e, acabamos associando isso ao próprio processo de criação do grupo. Porque iríamos entrar em algo que, nenhum de nós tinha experiência. Minha noiva e eu não somos artistas com grande atuação no mercado, então era um começo. O nome tinha total ligação com que estávamos passando, como uma semente que nasce e aos poucos vai brotando, até ter frutos, assim como uma árvore. E o buritizeiro é uma das maiores palmeiras do Amazonas e tudo dessa árvore é aproveitável.

 

M. N: Qual o objetivo da equipe Buriti?

Levi. B. Q: Fomento e incentivo à produção das histórias em quadrinhos no município de Parintins. Dar visibilidade àqueles artistas que não tem, por terem outra ramificação cultural, outra identidade artística diferente do que é mais comum aqui na cidade. Já faz um tempo atrás que, acontece certo desenvolvimento dessa área no Amazonas, basicamente em Manaus. Então vimos a necessidade de termos também esse aumento aqui em Parintins. Uma cultura não muito conhecida pelas crianças e adolescentes. Então queremos criar um mercado aqui, não só de histórias em quadrinhos, como Marvel, Dc Comics, produções norte-americanas. Queremos criar um hábito de leitura, de desenvolvimento cultural de valorização das produções locais, dos artistas locais, onde o parintinense se interessa a comprar revistas que enfatizem o próprio cotidiano. E acabe se identificando com as histórias. Não queremos substituir a cultura da pintura na tela, do desenho artístico, do que vemos no boi-bumbá. Queremos agregar valores, conhecimentos e culturas.

 

M. N: Algumas dificuldades no início. Quais?

Levi. B. Q: Tivemos várias dificuldades e ainda enfrentamos. Primeiramente tivemos um receio de sermos interpretados de outra forma, e sermos vítimas de uma atmosfera de preconceito em relação a nossa proposta, ao nosso estilo de trabalho. Então, por Parintins já ter uma linguagem propriamente dita, ficamos receosos com os artistas e o público, sobre a possibilidade de não nos entender. E foi uma preocupação forte que, até nos impedia de querer construir o coletivo. Esperamos um pouco e depois vimos que fomos bastante acolhidos, gostaram realmente do coletivo.  Tivemos algumas desavenças em alguns pontos, mas foi bom. Nosso intuito não é mudar o pensamento e estilo de ninguém, trabalhamos muito com agregação. Outra dificuldade que tivemos, foi a parte financeira. A maioria dos integrantes não tem uma vida financeira estável, são de família humilde. Não tínhamos dinheiro para investir. Então tivemos que pedir ajuda, não obtivemos muita resposta positiva. Os que nos ajudaram não foram políticos, nem da cultura. Foram pessoas comuns, professores, parentes, amigos. Mas isso faz parte, acredito que, todo o coletivo enfrenta. Infelizmente há uma visão preconceituosa também de muitos, por não considerarem essa arte como um trabalho. Mas ainda assim, há o retorno bom de crianças, de adolescente e, isso é um dos motivos de continuarmos.

 

M. N: Algumas exposições realizadas? Se não tem, pretendem expor algum dia?

Levi. B. Q: Participamos de três exposições. A primeira intitulada de “O Amazonas Plural”. Reuniu vários artistas iniciantes, já atuantes no mercado. Fizemos parte como iniciantes. O evento aconteceu na Usina Chaminé, em Manaus. Outra exposição foi no evento do Coletivo Ajuri, na Casa das Artes, em Manaus. A mais recente foi na exposição “Nosso lixo de cada dia”, ocorrido em Parintins. Participamos apresentando uma página de quadrinhos emoldurada. Foi uma experiência ótima. No momento foram as únicas, mas tenho muita vontade de expor fora também do Amazonas, para outros cenários.


M. N: Quais as inspirações artísticas?

Levi. B. Q: Bom. Aqui [Parintins] não se vê bancas de revistas com esse conteúdo. Pouca referência para o artista que quer fazer quadrinho em Parintins. Pesquisando, conheci o trabalho do artista Frank Miller, criador do “Batman, O cavaleiro das Trevas”, e serviu muito de inspiração no início. Outra referência é o Mike Mignola, quadrinista criador do Hellboy. Ele é muito conhecido pelos traços e o expressionismo das histórias em quadrinhos. Hoje em dia, o artista que eu mais tenho como referência é o kim Jung gi, ele não é exatamente um quadrinista, mas já fez quadrinho, trabalha mais com ilustração. Fora esses têm os artistas do Brasil como o Marcelo D’ Salete, ganhou o prêmio Eisner, um dos artistas que nos fazem sentir orgulho de ser brasileiro. Pedro Cobiaco, Shiko, o cearense Netho Diaz, tem obras lindas, é uma inspiração não só como artista, mas como pessoa.




 

 Por  Aldair Rodrigues

Redes sociais Buriti⬇️

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

PROFESSORES DA UFAM PARINTINS LANÇAM LIVRO SOBRE ASSOCIATIVISMO RURAL NO MUNICÍPIO

 A ideia é disponibilizar os exemplares físicos gratuitamente para as lideranças das comunidades rurais de Parintins

 

Vai ser lançado hoje, (21), às 19h30 (horário do Amazonas), o livro “Associativismo e cooperativismo em Parintins, AM: desafios e perspectivas”, resultado da pesquisa realizada pela equipe do Grupo de Estudos e Pesquisa da Complexidade Amazônica, coordenado pela Prof. Dra. Sandra Helena da Silva, do curso de Serviço Social e Prof. Dr. José Carlos Martins Brandão, de Zootecnia, ambos do Instituto de Ciências Sociais Educação e Zootecnia (ICSEZ) Campus da UFAM/Parintins-Am, no período de dezembro de 2018 a junho de 2020 junto às associações e cooperativas rurais do Município de Parintins.

A pesquisa recebeu o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), por meio do Edital Universal. “No livro traçamos uma revisão histórica do associativismo em Parintins, destacando as ações desenvolvidas pela COOPJUTA”, informa a pesquisadora Silvane Mascarenhas de Almeida. 

A pesquisadora e organizadora do livro Sandra Helena da Silva destaca que “no cenário contemporâneo são apresentados os desafios postos as comunidades rurais para a criação e manutenção das associações e cooperativas de trabalhadores e trabalhadoras rurais”, o que indica a necessidade da ampliação de políticas públicas que fomentam e apoiem o associativismo e cooperativismo rural na região de Parintins já que esses mecanismos essenciais para a geração de trabalho e renda e para a conservação ambiental das águas, terras e florestas amazônica.

O livro está disponível nos formatos e-book (digital no site da editora da Ufam, Edua e também impresso). A ideia é que os exemplares físicos possam ser distribuídos sem custo para as lideranças das comunidades rurais de Parintins.

SERVIÇO: lançamento on line aqui: https://meet.google.com/gfx-jjca-zkr às 19h30 horário no Amazonas.

Por Carlos Monteiro


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Toadeiros do Mocambo realizam "Live Show" no próximo sábado (11)

Será o primeiro evento virtual e oficial dos músicos

Jovens talentos musicais do Mocambo-Am
Arquivo pessoal

O grupo musical Toadeiros do Mocambo realiza no próximo sábado, (11), a primeira "Live Show". O evento acontecerá às 17h, no pier do ex-vereador Renei Serrão, no Distrito de Mocambo do Arari.

Arquivo pessoal


As toadas dos bumbás de Parintins, Garantido e Caprichoso, bem como dos bois Espalha Emoção e Touro Branco da região do Mocambo, compõem o repertório.

O músico Raul Anjos é um dos fundadores do projeto e convida todos a acompanharem o evento. "Queremos levar um pouco da cultura por meio das toadas dos festivais de Parintins e do Mocambo a todos que estão em casa, uma vez que, pela situação atual, os festivais não poderão acontecer em sua programação normal. Fica aqui o convite a todos os amantes de boi-bumbá", ressalta.

Toadeiros do Mocambo surgiu no Distrito de Mocambo, zona rual do município de Parintins, em 2018. Incialmente o grupo foi formado pelos jovens Raul Anjos (tecladista), Rivander Nogueira (vocalista), Kildery Pinheiro (tamureiro) e Misaque Julian (violonista). 


Rivander, Misaque, Kildery e Raul
Arquivo pessoal

A primeira apresentação aconteceu na Festa do Caixa Boi (FESCAB) , evento realizado pela Escola Municipal Santa Maria. Atualmente o grupo é composto por doze integrantes, todos da região do Mocambo.
A live será transmitida no Facebook, pelo perfil Toadeiros do Mocambo oficial.

Participação na live do boi bumbá Espalha Emoção
Grupo atual                                         Arquivo pessoal

Por Aldair Rodrigues

Link do perfil⬇️
https://www.facebook.com/toadeiros.domocambo.9






MÃOS QUE TRADUZEM FORÇA E BELEZA ARTÍSTICA

Erleson Souza, artesão parintinense                                             arquivo pessoal


Estilo, beleza, cores, representatividade. A arte traduz inúmeras expressões, e desde o princípio faz de seus criadores, condutores de resistência e influência cultural aos povos. Porém, empreender no campo artístico não tem sido fácil, em meio a pandemia (Covid-19) que assola o mundo atualmente. Por outro lado, a criatividade artística e os movimentos sociais se aliam fortemente, repugnando as atrocidades que insistem ocupar os noticiários mundiais.

Essa força é representada não só nas pinturas, desenhos, muros ou esculturas. Acessórios artesanais também se destacam por meio da criatividade de muitos artesões, e ganham espaço na internet com a criação das lojas virtuais.   

O artesão Erleson Souza Ferreira, natural de Parintins-Am, apostou nesse ramo, com o objetivo de ganhar uma renda extra, além de expôr o talento nas plataformas virtuais. Acadêmico do quarto período do curso de Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Federal do Amazonas-Campus de Parintins, a arte surgiu na trajetória do parintinense a partir da observação dos trabalhos realizados pelo tio Euler de Souza, quando estudava na Escola de Arte Irmão Miguel de Pascalle (Escolinha de Artes do Boi Bumbá Caprichoso). A partir disso, Erleson começou a praticar, fazer desenhos e pesquisar técnicas para aprimorar o talento.

A loja virtual Erleson Souza/ Acessórios Artesanais, surgiu no começo do ano de 2020. Os brincos e colares artesanais são confeccionados à mão. As vendas são realizadas por meio das postagens semanais, no Facebook, Instagram e whatsApp para negociações diretas. A grande incentivadora do projeto é Gabrielle Rodrigues, namorada de Erleson. Acreditando no talento do namorado, ela encontrou nas redes sociais a viabilização do empreendimento. “A Gabrielle sempre acreditou no meu potencial, e graças a ela que, tem um olhar diferente sobre os problemas da sociedade, apostei na ideia e tem dado certo, graças a Deus”, orgulha-se o artista.



Erleson e Gabrielle, parceria no amor e nos negócios                Arquivo pessoal


As inspirações artísticas de Erleson são inúmeras. Para ele “a arte é infinita, as que mais tenho admiração é pelo mundo afro e indígena. Pois, o mundo afro me traz uma simbologia de força e beleza, e é isso que eu tento repassar em minhas peças”, diz.

Os primeiros acessórios divulgados na loja, fazem parte da Coleção Afro. Foi pensada pelo artista há um tempo atrás. Porém, só agora em tempos de pandemia e, analisando outras situações repudiantes no mundo relacionadas ao racismo e discriminações sociais, impulsionaram a vontade de concretizar a ideia.


Arquivo pessoal

Erleson acredita que, além de falar sobre as questões sociais, é importante também mostrar atitudes em prol a 'minoria'. E a criatividade por meio dos acessórios tem sido a alternativa. “Minhas peças trazem, além da beleza, a luta e a resistência dos povos. No qual tenho minhas maiores inspirações e admirações”, afirma.

O artista pretende expandir os produtos para além das fronteiras de Parintins e, assim criar uma marca que o represente. O empreendedor espera que os clientes, ao adquirirem qualquer peça, aumentem a autoestima, vistam-se de personalidade e cultura, levando um símbolo de força e representatividade. “Espero, através dos meus acessórios, fazer as pessoas se aceitarem mais e mostrar a sua verdadeira natureza e beleza”, ressalta.




Materiais usados na confecção: lápis de desenho, caneta esferográfica,
papel paraná, cola de silicone, tecido para tela, tinta, arame e suporte para brincos.
Arquivo pessoal


Acessórios que enfatizam a beleza, a personalidade e a representatividade cultural
Arquivo pessoal


Simbologia de força e beleza inspiradas no mundo afro           Arquivo pessoal
Por: Aldair Rodrigues


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

CURUMIZ: um novo conceito na arte amazônica

                                             Alzyney Pereira, à esquerda e Kemerson Freitas, à direita, os Curumiz. Foto: Luciano Ribeiro


No final do ano de 2017, os muros da área urbana de Parintins-Am* ganharam novas cores e uma nova linguagem artística. Das ruas para as redes sociais, não é difícil encontrar nos perfis de inúmeros parintineneses, fotografias dessas obras, contextualizando o cotidiano amazônico, uma mistura de ousadia e talento.
       Contudo, não se pode explicar a arte, sem vê-la, sentí-la ou imaginá-la. Todos esses sentimentos estão presentes na vida de Kemerson Freitas e Alzyney Pereira. Os artistas intitulados Curumiz, assinaram um novo conceito na arte amazônica e deram vida aos envelhecidos muros da área urbana de Parintins. Além de amigos, os jovens têm em comum a paixão pela arte, e a proporção que ela pode causar.
       Kemerson Freitas, (23), é licenciado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Amazonas, (Ufam), na região de Parintins. O parintinense iniciou a vida artística por volta dos seis anos de idade, desenhando nos cadernos utilizados em sala de aula. O dom do garoto chamou a atenção dos pais que, logo o matricularam na Escola de Artes Irmão Miguel de Pascale, (Escolinha do Boi Caprichoso, importante projeto social que ensina as diversas modalidades artísticas para crianças da cidade de Parintins). Aprimorou suas técnicas no curso de desenho pertencente ao Liceu de Artes Claudio Santoro, em Parintins.
         A história de Alzyney Pereira, (23), assemelha-se ao do amigo. Acadêmico do curso de Licenciatura em Artes Visuais, pela Ufam em Parintins, o jovem nasceu na cidade de Juruti, no Pará, e desde os cinco anos de idade mostrava talento pelo desenho. Fã dos desenhos infantis, o garoto reproduzia no papel o que assistia, aprimorando mais o talento artístico. A partir disso, a mãe de Alzyney o colocou na escola de arte Pastoral do Menor, situada no bairro Itaúna 2, em Parintins, onde ele reside até hoje.

O início

          A parceria surgiu na universidade, durantes as aulas de desenho, ministradas pelo professor Edson Macaline. Na época, Edson propôs aos alunos a utilização de uma arte mais contemporânea a partir do estilo artístico utilizado na região amazônica. A semelhança pelo gosto e o estilo de desenhos dos dois acadêmicos os uniu durante as atividades do curso, e ultrapassou os muros da universidade.
        O aperfeiçoamento no trabalho dos artistas aconteceu a partir do projeto Arte na periferia, idealizado pela prefeitura de Parintins em parceria com a escola de artes Pastoral do Menor, realizado na própria instituição. Foi a primeira pintura dos jovens no muro. O diferencial na obra artística chamou a atenção do público e instigou o talento dos artistas que, começavam a descobrir um estilo próprio no campo da arte parintinense.
Com o sucesso da primeira pintura e a repercussão positiva nas redes sociais, os jovens levaram em frente os trabalhos, em busca dos muros abandonados pela cidade. Outros muros eram solicitados, por se tratarem de obras particulares, mas, os jovens sempre arcaram com as despesas dos materiais durante a produção dos murais.
“No início quando fomos pintar os muros, ao tirarmos os sprays da mochila, algumas pessoas temiam que fôssemos pichar como um ato de vandalismo, esse foi o primeiro paradigma que enfrentamos”. Relembra Kemerson, sorrindo.


          Kemerson Freitas, inciando uma releitura regional de Frida Kahlo
Foto: Alzyney Pereira




Alzyney Pereira, em ação, obra Mãe terra.Foto: Kemerson Freitas



No início das obras de arte, os artistas utilizavam a técnica do lambe-lambe (arte desenvolvida com o papel colado no muro, uma modalidade de estreet art), depois começaram a utilizar o grafite (pintura à base de spray), para o melhor aperfeiçoamento. São por meio de tutoriais pesquisados na internet que, os artistas aprendem cada vez mais novas técnicas de utilização para pinturas em muros. 


Curumiz e suas inspirações artísticas

Autorretrato “Curumiz”. Foto: Arquivo pessoal

O codinome artístico Curumiz, surgiu no final do ano de 2017, quando os jovens começaram sair para as ruas de Parintins. Primeiramente assinavam o codinome A.K Riverman, (junção das primeiras letras de seus nomes, hiverman significa ribeirinho em inglês), porém não gostaram da junção e optaram por algo mais simples e criativo.
          A ideia surgiu na confecção do segundo mural. Durante uma das saídas dos jovens pelas ruas, o professor Erick Nakanome ao vê-los pintando, gritou:
          -Esses curumins já estão pintando aí! – Relembra Alzyney.
      Por meio desse fato, os amigos tiveram a ideia de assinar as obras e firmar o codinome Curumiz, por se tratar de um termo regional, curumim, ( palavra de origem tupi, e designa, de modo geral, as crianças indígenas, do sexo masculino). A palavra foi modificada e acrescentada a letra “z”, no final, criação dos próprios artistas.
Além das referências artísticas regionais na bagagem, os jovens também são inspirados por artistas renomados. A admiração pelas obras de  Van Gogh, Salvador Dali, Modigliani, Basquiá, Os gêmeos e Eduardo Kobra, foram fundamentais no desenvolvimento artístico dos jovens que, criaram uma identidade própria desde então.
“Os gêmeos foram uma forte influência para gente, pois, vimos que, são duas cabeças para pensar unicamente uma ideia, tão ímpar”, afirma Kemerson Freitas. Ele acrescenta que, a arte parintinense é uma temática bastante discutida na universidade, e que essa arte regional precisa ser trabalhada num estilo mais contemporâneo.
As obras criadas pelos Curumiz são definidas de arte urbana, mas com uma linguagem amazônica que, retrata o cotidiano rural. São utilizadas nas obras, pessoas anônimas, elementos ribeirinhos e a fauna pouco usada nas telas, trabalhadas numa linguagem diferenciada, uma arte própria desenvolvida pelos artistas.


   “Das manivas do caboclo”. Obra que fez parte da exposição “Conterrâneo”. Foto: arquivo pessoal Curumiz.
   


      Alzyney aponta o professor do curso de Artes Visuais (Ufam/Parintins) Edson Macaline como um grande incentivador durante o percurso dos jovens. “Ele propôs que utilizássemos mais experimentações, outros materiais, outras superfícies para pintar, outro método de desenho, por isso não temos um estilo definido, as pinturas surgem de acordo com as nossas experimentações artísticas e os diversos elementos que utilizamos”, destaca o artista.
Apesar dos desafios e situações constrangedoras, os muros pintados pelos artistas, embelezam e alegram os ambientes urbanos de Parintins. Com a arte reconhecida, surgiram as encomendas, o que os ajudou a custear os materiais que, raramente são encontrados em Parintins, outros eles compram pela internet.


Exposições e a dimensão artística

Os artistas participaram da abertura do 11º Salão Curupira de Artes Plásticas, em Manaus, evento realizado em 2018, onde foram expostas várias exposições com a participação dos artistas de Manaus e do interior do Amazonas. 
A segunda exposição foi individual, intitulada de Conterrâneo, ocorreu em 2019, na galeria do Largo São Sebastião, espaço em frente ao Teatro Amazonas, no centro de Manaus.

  Flyer de divulgação da exposição “Conterrâneo”.

                                                                              
“Essa exposição abriu muitas portas para gente, as pessoas viram que em Parintins tem o trabalho de arte urbana, que há também artistas da arte contemporânea”, ressalta Kemerson, referindo-se a exposição Conterrâneo.
Recentemente os jovens participaram da exposição intitulada “Lixo nosso de cada dia”. O evento aconteceu em outubro de 2019, nas dependências do Liceu de Artes Claudio Santoro, em Parintins. À convite da museóloga Veralucia Ferreira, os artistas produziram dois murais de instalação, unindo o grafite ao lixo produzido na cidade.

                                                  Os Curumiz e as obras “Eu” (à esquerda) e “Até o tucupi” (à direita). 
                                                 Ambas foram produzidas para a exposição “Lixo nosso de cada dia”. Foto: Rendrick Azevedo. 

                                                                 


Futuramente os artistas almejam expandir suas obras para outros lugares, onde a arte urbana é mais presente, com o intuito de engrandecer o trabalho e buscar mais valorização. Entretanto, não só as metrópoles estão nos planos dos artistas, Alzyney acrescenta que levar a arte às pessoas mais necessitadas também faz parte do caminho que eles pretendem percorrer. Poder levar o estilo às comunidades ribeirinhas, outros locais circunvizinhos da cidade de Parintins são de suma importância para que eles possam se identificar, visto que, são personagens fortemente presentes nos murais.



“Mãe terra”, produzida em um dos muros no centro da cidade de Parintins-AM.Foto: Arquivo pessoal Curumiz.



 “A arte existe porque a vida não basta”, é a frase que kemerson leva para a vida. O jovem acredita que o principal objetivo do trabalho dos Curumiz é fazer as pessoas compreenderem a arte além do que elas já conhecem. “Transformação” é a palavra que Alzyney determina como um importante papel desempenhado pela arte. “Esse é o nosso propósito, transformar as pessoas e os lugares que estavam mortos, por meio das cores e acima de tudo fazer com que as elas se identifiquem nas obras, retratando o seu cotidiano, a sua identidade cultural”, conclui o jovem.




Colorindo a cidade de Parintins, com a obra “Flores amazônicas”.                      Foto: Arquivo pessoal Curumiz




   
Painés “Flor de menina” e “Ribeirinhos”, fizeram parte da XI exposição do Salão Curupira de Artes, em Manaus, 2018. Foto: Arquivo pessoal Curumiz




"Tracajás de beiradão”, a obra fez parte da exposição “Conterrâneo”, realizada no Largo São Sebastião, em Manaus. 
Foto: Arquivo pessoal Curumiz, 2019.



     

                                             "Umukosurãpanami- criador da luz no universo"
Arte feita sobre a mitologia do índios dessana sobre criação do sol, do universo, tendo como referência o livro "Antes o Mundo não existia", da qual conta que este heroi dessana Umukosurãpanami direcionado por Yeba Boro, joga sua lança contra o nada, criando a luz no universo, assim nascendo o sol e o sistema cósmico. Foto e legenda: Arquivo pessoal Curumiz



*Parintins é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas. Pertence à mesorregião do Centro Amazonense e microrregião de mesmo nome, localizando-se no extremo leste do estado, distante cerca de 369 quilômetros da capital Manaus (IBGE)