sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Caminho de penúria


O descanso do andarilho  Foto: Aldair Rodrigues

   Após percorrer as calorosas ruas, os badalados eventos e os constantes olhares de nojo e compaixão, o repouso é a melhor opção.

   A cor morenez maltratada pela própria luz que lhe servira, exala o odor do cansaço em suas vestes raramente ensaboadas.

   No rosto as marcas de um caminho regado ao vício, ao desprezo, a cegueira perceptível, ao tímido sorriso falho.

   De sua boca um emaranhado de palavras, a incoerência entre o sujeito e a ação, entre o que é certo ou errado, são apenas palavras ao vento.

   No corpo a dor do destino cruel, da irracionalidade, da escolha inconsequente, do abandono fraternal, talvez.

   Na anestesia do sono, ainda há sonhos? Ou é apenas um corpo em repouso? Uma matéria no espaço? Há esperanças ao acordar?

   Enfim ele desperta aos sons das buzinas e motores dos carros e motos que insistem em perturbá-lo.

   Com a mochila nas costas e a sacola quase cheia ele sai novamente, passos lentos, resmungando com o vento!

Texto e foto: Aldair Rodrigues

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

FAMÍLIA HOMENAGEIA SANTO CASAMENTEIRO EM PARINTINS


Gerações da família Cid                                          Foto: Aldair Rodrigues

Já são mais de 25 anos realizando a promessa que inciou pelo patriarca, em honra a Santo Antônio

O dia 13 de junho é considerado a dia oficial em honra a Santo Antônio, intitulado por seus adoradores como o santo casamenteiro. Há mais de duas décadas, a família Cid, tradicional da rua Alberto Mendes, no bairro do Palmares em Parintins, realiza a distribuição de guloseimas aos já conhecedores do evento e aos passantes que circulam em frente a residência da família.

O festejo, que partiu do patriarca Francisco Luis do Amaral Cid, a princípio era realizado no dia 23 de junho, com a distribuição apenas do mingau de munguzá. Dona Valderiza Cid, viúva de Francisco, questinou ao marido na época , para que a festividade fosse realizada na data oficial do santo, dia 13 de junho.

A partir desse questionamento, oficialmente o evento passa a ser realizado anualmente, no dia 13 de junho, em frente à residência dos Cid. Para Valderiza, dar continuidade a esse ato de fé, legado deixado pelo falecido esposo, simboliza renovação da promessa e gratidão, às conquistas alcançadas pela família ao longo dos anos.

No evento, além do tradicional mingau, são distribuídos bolo e pipoca. A noite é aquecida pela fogueira que simboliza a fé viva no berço familiar. Enquanto são degustadas as iguarias, o som junino é entoado, celebrando o momento de alegria e gratidão ao santo.

Apesar de o evento alcançar apenas os passantes da rua e os amigos conhecedores da honraria, dona Valderiza e os filhos anseiam para que a cada ano, o festejo se torne cada vez mais popular.

Fotos e texto: Aldair Rodrigues








VIDA DE BARBEIRO

Francisco Justo Nascimento          Foto: Aldair Rodrigues


"Pra fazer barba eu desafio qualquer um". Foram palavras  de Francisco Justo Nascimento,  73 anos, ao me responder sobre o longo percurso da nobre profissão.

Sangue nordestino, vindo da cidade de Sobral, no Ceará. Chega em Parintins no ano de 1981. São 37 anos no ramo da barbearia.

"Faço somente trabalho de barberia". Ele diz, ao mesmo tempo em que empunha nas mãos já calejadas pelo tempo, ligeiramente a navalha  sem perder a agilidade.

No universo das lojas que movimentam a Avenida Amazonas está o Salão Cometa. Lugar pequeno, aconchegante e muito iluminado.

Não pelas lâmpadas fluorescentes fixadas no telhado interno. Mas, pela força de sua vitalidade e simpatia que ele demonstra a cada sorriso receptivo aos clientes, durante as três décadas.

Texto e foto: Aldair Rodrigues







#RostosUrbanos #Parintinense #Barbeiro #ACaradeParintins #SalãoCometa

CAFÉ E CONVERSA COM MULHER

Kayth karine e Leane Oliveira, organizadoras do evento

"Café e conversa com mulher" foi o evento ocorrido no dia 8 de outubro, no auditório da Ufam em Parintins, organizado pelas acadêmicas do curso de Comunicação Social- jornalismo Kayth Kariny e Leane Oliveira da mesma instituição.

Com o tema "Uma comunicação feminista", a roda de conversa foi mediada por representantes dos movimentos sociais feministas de Parintins e abordou o conceito, além de esclarecer as dúvidas que norteiam essa temática em prol à luta pelos direitos das mulheres na sociedade.

Após o bate-papo, foi servido um café regional aos participantes, e também houve a coleta de assinaturas para que, o dia 8 de março, considerado o Dia Internacional da Mulher se torne feriado municipal.

Fotos: Assessoria do evento

#CaféEConversaComMulher #MovimentosSociaisFeministas #AcadêmicasDiscutemOFeminismo #Jornalismo #UfamParintinsAM



RAPHAELA PRATA

Foto: Aldair Rodrigues


Se assumir é uma grande libertação para respeitar o nosso eu interior e buscar a felicidade”

Natural de Parintins-Am, 31 anos, Raphaela faz parte da Associação de Gays, Lésbicas e Travestis de Parintins (Aglpin) na área de finanças. É educadora no projeto “Viva Melhor Sabendo”, realizado pelo Healthcare Foundation Brasil (AFH); uma iniciativa desenvolvida no Brasil desde 2014 e agora ganha espaço no município de Parintins. A ação amplia a testagem do HIV mediante a tecnologia de testes rápidos por fluido oral, além de conscientizar a população quanto a prevenção. Raphaela não fugiu do preconceito. Hoje ela luta pela classe LGBTI e encara a vida de uma forma mais leve e feliz. Sorridente, bem humorada e com clareza nas palavras, ela conversou com o Mural das Narrativas e compartilhou sua história.

Mural das Narrativas: Como você se identifica atualmente na sociedade?
Raphaela Prata: Eu sou uma travesti, mas me identifico como uma mulher. Aos poucos a gente vai conquistando o nosso espaço. Não seria uma conquista só minha, mas de todo o movimento ao qual eu represento.

M.N: A partir de que momento você percebeu que o seu comportamento era diferente dos outros meninos?
R.P: Na minha infância, entre os sete, oito anos eu brincava muito com meninas. Eu brincava com as coisas da minha irmã. A minha mãe comprava uma boneca para ela, eu queria às vezes para mim. Eu não tive muito contato com meninos. Então eu ficava triste por não me encaixar nas brincadeiras deles. Devido a isso, eu ouvia muitos comentários maldosos.

M.N: Como era a reação da sua família diante desse comportamento?
R.P: Na verdade eu tenho outra irmã que também é trans. Meu pai não gostava, na época que eu comecei a me transvestir ele dizia que eu seguia o exemplo do meu irmão. Ao mesmo tempo em que ele me aceitava demonstrava que não aceitava. Hoje em dia ele me apoia em tudo o que eu faço. Eu tenho uma família que é a base de tudo na minha vida.

M.N: Qual foi a maior dificuldade durante esse processo?
R.P: Acredito que, ser aceita na sociedade não foi fácil. É importante frisar que ninguém escolhe ser uma travesti. Nascemos com isso e se desenvolve na infância, na adolescência. Eu já me ‘montava’ para shows de transformismo, e outros tipos de eventos. Mas, passei a me transvestir constantemente só depois dos dezoito anos.

M.N: Como foi o procedimento para oficializar o novo registro de identidade?
R.P: Eu participo de vários grupos voltados à classe LGBT em Manaus. Nós do movimento trans de Parintins temos parceria com a ASSOTRAM (Associação e travestis, transexuais e transgêneros do Estado do Amazonas) que é de Manaus. Sou muito grata ao Dr. Rodolfo Lobo, defensor público que abriu muitas portas para a gente nessa questão. Nos nossos encontros debatíamos sobre esse tema, então foi aí que surgiu o interesse, já que a lei tramita desde o dia primeiro de março de 2019. Primeiramente eu troquei o título eleitoral e o cartão do SUS, ultimamente eu fiz a retificação na certidão de nascimento em parceria com a defensoria pública. Acredito que na retificação do RG [registro geral] eu tenha sido uma das primeiras trans parintinenses.

M.N: Você passou por alguma situação constrangedora referente a documentação ainda não oficializada?
R.P: Uma vez eu estava num Congresso em Manaus, eu estava toda ‘montada’ e um rapaz perguntou meu nome e eu disse que me chamava Raphaela Prata. Ele insistiu em saber o meu nome de batismo, então houve a maior discussão, mas recebi o apoio dos amigos que estavam comigo no evento, tentando evitar a situação constrangedora.


M.N: Como você analisa as políticas públicas ao tratar essa questão?
R.P: Eu gostaria que houvesse mais projetos que amparassem os LGBTs. Na questão da empregabilidade, muitos encontram dificuldades no primeiro emprego, pela falta de oportunidade, e isso acarreta na maioria das vezes, o acesso às drogas e prostituições.

M.N: Como você enxerga a sociedade, ao tratar esse assunto tão polêmico?
R.P: Acredito que, de forma geral existe muito preconceito, mas as pessoas tentam esconder isso. E também o preconceito existe muitas vezes porque a maioria demonstra uma certa insegurança, além de que, muitas trans são vulgares e isso acaba contribuindo.

M.N: Você está satisfeita com o seu corpo? Se tivesse que mudar algo em você, o que seria?
R.P: Estou satisfeita sim. Acho que não mudaria nada. Eu apenas faço um tratamento de hormonioterapia em Manaus com uma especialista.

M.N: A redesignação sexual é um procedimento operatório muito delicado e não é somente a troca do orgão sexual, mas depende do processo psicológico do paciente. Você tem interesse nesse procedimento?
R.P: Não e nem pretendo. Não discrimino quem fez, não tenho vontade. Eu estou muito feliz com o meu corpo.

M.N: Quais os seus planos para o futuro?
R.P: No momento não tenho eles definidos, mas gostaria de ser mais respeitada na sociedade e nunca deixar de militar pelo movimento que represento. Quando eu entrei na associação LGBT, não conhecia muita coisa relacionada ao nossos direitos e agradeço a ela por me proporcionar esse leque de oportunidades e conhecimentos.





"Eu gosto e ler, me empoderar nos assuntos LGBT".Raphaela Prata
Foto: Aldair Rodrigues




"Orgulho é poder ser quem você é, em um mundo que te diz o contrário". Raphaela Prata
Foto: Aldair Rodrigues



"Sou uma pessoa que vai em busca dos objetivos, meio tímida, mas com um coração bom".
Raphaela Prata / Foto: Aldair Rodrigues


A parintinense gosta de viajar e durante as viagens participa de congressos que,
debatem os temas voltados à classe LGBT / Foto: Aldair Rodrigues


Educadora em ação, no projeto "Viva Melhor Sabendo". Foto: arquivo pessoal




Além os testes, os membros o projeto também fazem a distribuição dos preservativos Foto: arquivo pessoal











quarta-feira, 9 de maio de 2018

MEMÓRIAS AO MEU ANTIGO DONO

Por: Aldair Rodrigues



Um dia eu servi.
Fui a muitos lugares, não estive nos rios da antiga Vila Nova da Rainha, mas certamente velejei nas águas barrentas da Ilha Tupinambarana, conhecida como a capital do folclore. Por terra trago as marcas da calorosa Francesa, atracação das mais cabíveis histórias, cruzamento entre citadinos e ribeirinhos.
Passei pela Matriz do Carmo e não me neguei em pisar no solo santo. Paciente, vi meu dono sinalizando da testa ao peito o sinal da sua temida fé. Mal eu sabia que o meu destino terminaria numa orla esquecida pelo "discurso do progresso".
Ancoramos e mais adiante, em uma poça lamaçal qualquer fui abandonada, por que na vida tudo tem um prazo, tudo se acaba, menos as histórias.

        Para que sirvo? Calço os pés rachados, os macios e também sou muito querida pelos que aqui semearam o começo econômico da calorosa Parintins.
      Muito prazer! Sou uma sandália esquecida e mais adiante o meu abandonado amigo barco.









foto: Aldair Rodrigues
foto: Aldair Rodrigues





*Esta narrativa é baseada nos viveres e construção histórica do povo da cidade de Parintins , no Amazonas-Brasil. Os locais citados no texto fazem parte da estrutura urbana da cidade, como a orla, o bairro da Francesa e a Catedral de Nossa Senhora do Carmo.
*Parintins é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas. Pertence à mesorregião do Centro Amazonense e microrregião de mesmo nome, localizando-se no extremo leste do estado, distante cerca de 369 quilômetros da capital Manaus. POPULAÇÃO:  113 832 hab – estimativa populacional - IBGE/2017.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Professor cria minidicionário trilíngue para surdos Sateré-Mawé

O objetivo é auxiliar educadores das escolas indígenas no processo de  ensino-aprendizagem e melhorar a comunicação dos alunos com problemas auditivos

O livro é um conteúdo variado com técnicas de traduções linguísticas de fácil compreensão.


      Constituída por um rico vocabulário, a língua Sateré-Mawé, membro único da família Mawé e parte do tronco linguístico Tupi, é falada e escrita por aqueles que fazem parte da etnia. De acordo com informações do Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM), em 2014, a população Sateré-Mawé somava aproximadamente 13.350 indígenas, vivendo na capital do estado, Manaus, e em comunidades dos rios Marau e Andirá, pertencentes aos municípios de Maués e Barreirinha, que fazem parte da microrregião de Parintins.
      O Censo Escolar de 2016, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), registrou a existência de 21.987 estudantes surdos e 32.121 com algum tipo de deficiência auditiva matriculados na educação básica. Ainda de acordo com a pesquisa, existem 2.819 escolas indígenas em todo o Brasil, atendendo a aproximadamente 195 mil estudantes indígenas,
distribuídos desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.
      Diante desse contexto, o professor de Língua Brasileira de Sinais (Libras) da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Marlon Jorge Azevedo, que também é surdo, criou o Minidicionário Indígena Sateré-Mawé em Libras e Língua Portuguesa, resultado de sua dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLA) da UEA em 2015.
      O produto trilíngue (Sataré-Mawé, Língua Portuguesa, Libras) é direcionado ao ensino-aprendizagem dos indígenas surdos Sateré-Mawé e disponibiliza um conteúdo variado com destaque para técnicas de traduções linguísticas de fácil compreensão.
      Segundo Azevedo, a ideia surgiu a partir de uma conversa com um grupo de surdos pesquisadores da Federação de Surdos no Rio de Janeiro em 1990. “Nesse encontro, um dos participantes me perguntou se havia surdos indígenas no Amazonas. Então, comecei a pesquisar em lugares das microrregiões de Parintins e viajei para seis municípios: Barreirinha (Ponta Alegre), Nhamundá, Boa Vista do Ramos, Maués, Urucará e São Sebastião do Uatumã. Nessa primeira pesquisa, encontrei dez indígenas surdos Sateré-Mawé”, afirmou.
      O pesquisador realizou um mapeamento com o objetivo de averiguar a quantidade de indígenas surdos nos municípios da microrregião de Parintins. Foram muitos os problemas enfrentados nesta etapa da pesquisa, dentre os quais Azevedo destaca a dificuldade de acesso às áreas indígenas e à indisponibilidade de dados e informações na Fundação Nacional do Índio (Funai) de Parintins. “Algumas comunidades são muito distantes e, em alguns trechos, o rio é muito estreito e perigoso”, explica o professor, enfatizando também a burocracia a ser enfrentada no processo de busca de dados. “Eu precisei da autorização do chefe da aldeia, e isso foi bastante complicado”, desabafa.
       O coordenador da Funai, Sérgio Butel, atribui essa falta de informação à fragmentação que ocorreu no órgão a partir de 2009 no que concerne às atribuições das áreas da educação e da saúde indígenas. Segundo ele, até aquele ano, a Funai cuidava dessas áreas e podia manter os dados atualizados. Com a transferência das questões da educação para a Secretaria de Educação (Semed) e da saúde para a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), as informações ficaram restritas. “Com isso, não temos um levantamento, um mapeamento do número de crianças especiais que estão na escola”, afirma Butel. 
      Para ele, o minidicionário é um trabalho muito importante, pois a língua acaba se tornando uma barreira para o estudante indígena que migra para a área urbana e não compreende a língua portuguesa. Além de ajudar os alunos Sateré, o livro tem como objetivo dar suporte aos professores que trabalham com essa questão.
      Ao longo da pesquisa, foram realizadas algumas oficinas de Libras para que Azevedo pudesse avaliar o nível de aceitação das crianças indígenas, e o resultado, segundo ele, foi muito positivo: “Quando eu mostrava, através do livro, objetos utilizados na aldeia, eles demonstravam receptividade e, à medida que a prática avançava, eles conseguiam se expressar e sinalizar”, conta o pesquisador.
      Samantha Rocha, coordenadora pedagógica da Semed, esclarece que, no âmbito educacional, as dificuldades enfrentadas pelo surdo relacionam-se sobretudo à falta de comunicação, o que exige na escola a presença de um profissional especializado na língua de sinais. Para minimizar a ausência desse tipo de profissional em Parintins, Rocha explica que há um espaço reservado na sede da Semed. “Temos a sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), mas o que acontece é que são colocados profissionais que contemplam um pouco de cada deficiência, sendo que o surdo exige um conhecimento mais especializado não só sobre a didática mas também sobre língua usada para a comunicação”, conclui.
      A ausência de profissionais especializados em Libras também é uma realidade nas escolas indígenas que possuem alunos com deficiência. Para o coordenador da Funai, Sérgio Butel, isso não é exclusividade de Parintins. Trata-se de um problema presente na maioria dos municípios que tem alunos indígenas e que, para garantir aquilo que a lei determina quanto ao direito indígena a uma educação específica e adequada ao costume de cada povo, mantém as escolas com dificuldades.
      Um problema grave é a ausência de um Projeto Político-Pedagógico próprio. Ainda de acordo com Butel, nesse sentido as discussões ainda estão engatinhando e são poucas as escolas indígenas que possuem uma proposta, de fato, construída junto à comunidade indígena. “Normalmente, se faz educação indígena com livro didático do ‘branco’, com projeto do ‘branco’ e com os saberes do ‘branco’.”, enfatiza o coordenador.
      A pesquisa que culminou na produção do minidicionário contou com a participação de entidades que buscam o bem-estar indígena, dentre as quais a Casa de Trânsito Sateré-Mawé de Parintins, através do coordenador da instituição e professor indígena José Douglas de Oliveira, que corrobora a importância do projeto de Azevedo. “Esse livro é uma iniciativa que ajuda muito, acredito que é um bom começo, ele tem que continuar. Quando eu vejo um livro de alguém que se importa com a tribo e faz um trabalho bom, eu me alegro muito”, diz o professor Sateré, que destaca o seu desejo de ver toda a sua tribo tendo acesso à educação.
      A continuidade do projeto é um desejo também de Azevedo, que planeja aprofundar suas pesquisas em torno do tema, abrangendo outras línguas indígenas. Atualmente, o seu esforço é para viabilizar a publicação do minidicionário, o que requer apoio financeiro.
      O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) reforçou a política de acessibilidade para a realização do Enem através da videoprova traduzida em Libras, recurso este utilizado por 1.635 participantes em 2017. Ao todo, foram contabilizadas 4.390 solicitações de atendimento especializado para casos de surdez e deficiência auditiva.

“Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil” foi o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que ocorreu em novembro de 2017. A presidente do Inep, Maria Inês Fini, declarou que é confortante receber de milhares de jovens felicitações tanto pela temática escolhida quanto pela equipe empenhada no primeiro dia de prova.

REPORTAGEM PRODUZIDA PELOS ACADÊMICOS DE JORNALISMO DO QUINTO PERÍODO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS/CAMPUS PARINTINS:
*ALDAIR RODRIGUES
*EVELYN BRITO
*KATRIANE BERNARDES
*LARA SOUZA
*NÁGELA MENEZES
*NEANDRO MARQUES
*POLIANA AZEVÊDO

ORIENTADORA: PROFESSORA, KARLIANE NUNES


FOTOGRAFIAS/BASTIDORES

Entrevista com o coordenador da Casa de Trânsito Indígena José Douglas

Repórteres, Katriane Bernardes e Polyana Azevêdo, na entrevista com o coordenador da Casa de Trânsito Indígena

 Colaboradores da reportagem, Marlon Jorge, Samantha Rocha (ao centro), juntamente com a professora Karliane Nunes e equipe


fotos para a reportagem
coordenador da Funai, Ségio Butel

capa do jornal Tupã News

matéria impressa